Mato Grosso do Sul chega ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, celebrado neste 1º de junho, com um cenário preocupante. Até o final de maio deste ano, 13 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado, o mesmo número registrado no mesmo período de 2025.
A data foi instituída pela Lei Estadual nº 5.202/2018 e marca o início da Semana Estadual de Combate ao Feminicídio, criada para promover ações de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. No entanto, os índices continuam alarmantes e colocam Mato Grosso do Sul entre os três estados brasileiros com as maiores taxas desse tipo de crime.
Dados do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE-MS) apontam que muitas das mulheres assassinadas nos últimos anos nunca haviam registrado boletim de ocorrência ou procurado ajuda junto aos órgãos de proteção. A realidade evidencia um dos principais desafios no combate à violência doméstica: o silêncio das vítimas.
Segundo o MPE, uma mulher leva, em média, cerca de 10 anos convivendo com agressões, ameaças e abusos antes de conseguir romper o ciclo da violência. O medo, a dependência financeira, a pressão familiar e a esperança de mudança do agressor são alguns dos fatores que dificultam a denúncia.
Especialistas reforçam a importância de que familiares, amigos e vizinhos estejam atentos aos sinais de violência e incentivem a busca por ajuda. O enfrentamento ao feminicídio depende não apenas da atuação das autoridades, mas também do apoio da sociedade na identificação e denúncia de casos de violência contra a mulher.
As denúncias podem ser realizadas por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, além das delegacias especializadas e demais órgãos de segurança pública.
Neste Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, a reflexão é necessária: cada número representa uma vida interrompida e reforça a urgência de fortalecer as políticas públicas de proteção às mulheres e o combate à violência de gênero.